Irã prende modelos por não cobrirem a cabeça nas redes sociais

A justiça iraniana lançou uma de suas campanhas periódicas de repressão às redes sociais neste domingo, com a prisão de sete mulheres acusadas de publicar fotos sem cobrir a cabeça com o hijab, véu obrigatório no país desde 1979. Como parte da operação, a TV estatal também transmitiu ao vivo o interrogatório de uma ex-modelo que fazia sucesso no Instagram com fotos consideradas “anti-islâmicas”.

No depoimento de Elham Arab, famosa por publicar fotos em vestidos de noiva, a modelo disse que se arrependia de seus atos e explicou ter postado imagens usando certas roupas ou produtos de beleza para ganhar dinheiro com comerciais. “Você pode ter certeza que nenhum homem quer casar com uma mulher cuja fama custou a perda de sua honra”, afirmou Arab, vestindo um lenço preto.

De acordo com a rede Al Jazeera, não foram divulgadas quais são as acusações contra a ex-modelo, nem os nomes das outras pessoas presas. A reportagem da TV estatal afirmava que a operação identificou cerca de 170 pessoas envolvidas com a “indústria ilegal” de moda nas redes, incluindo 58 modelos, 59 fotógrafos e alguns maquiadores. Além disso, outros perfis suspeitos foram derrubados no Facebook e no Instagram, divulgou a polícia iraniana.

 

Apesar de o governo do presidente Hassan Rouhani não ser rígido em reforçar o uso do hijab, conservadores da polícia e do sistema judiciário do Irã veem na exposição dos cabelos um ato imoral. Nos últimos anos, algumas mulheres, especialmente na capital Teerã, têm usado o lenço mais solto na cabeça, causando a revolta dos setores mais fundamentalistas.

Blogueiro preso – Nesta segunda-feira, a agência de notícias estudantil semioficial Isna também relatou a prisão do blogueiro Mehdi Abutorabi, de 53 anos, que gerencia a ferramenta de publicação Persian Blog, equivalente iraniano do Blogger. O Irã impede o acesso a Facebook, Twitter e YouTube, mas milhões de cidadãos contornam facilmente o bloqueio usando redes privadas virtuais. O aiatolá Ali Khamenei, autoridade máxima do país, disse no sábado que a internet está incentivando pensamentos não islâmicos que devem ser enfrentados de imediato.

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